Responder mensagens fora do horário de atendimento sem a equipe virar a noite
As três saídas, e nenhuma é de graça
Responder mensagens fora do horário de atendimento tem exatamente três respostas possíveis, e vale olhar as três juntas antes de escolher.
Uma: ninguém responde até amanhã. Duas: responde alguém da equipe, de casa. Três: responde algo que não é uma pessoa.
A maioria dos negócios não escolheu nenhuma. Caiu na segunda sem dizer em voz alta, e é aí que apodrece.
O que custa não responder
Paga-se em clientes que esfriam, e o custo está medido.
A Harvard Business Review auditou 2.241 empresas sobre 1,25 milhão de leads e encontrou que responder um contato dentro da primeira hora dava cerca de sete vezes mais chance de qualificá-lo do que esperar mais uma hora. Contra esperar um dia inteiro, a diferença chegava a sessenta vezes.
Uma mensagem das onze da noite respondida às nove da manhã já caiu na pior faixa daquele estudo.
O que custa alguém da equipe responder
Paga-se com a sua gente, e ainda tem uma aresta trabalhista que quase ninguém olha.
Quando você pede que alguém atenda fora da jornada, esse tempo pode contar como trabalho efetivo. Não é uma zona cinzenta de opinião: é como a disponibilidade é lida quando deixa de ser voluntária. A regra exata depende do país, e vale conferir a do seu.
Mas o problema maior não é esse. É que o arranjo se sustenta em boa vontade, e boa vontade se gasta. A pessoa que responde às onze nos primeiros meses depois responde às onze de mau humor. E um dia para de responder sem avisar.
Aqui vai uma pergunta que convém fazer antes de montar qualquer solução: você se sentiria à vontade explicando para a sua equipe como funciona? Se a resposta é não, a solução está errada.
A terceira saída, e o que ela tem que cumprir
Que responda algo automático é a saída óbvia, e também a que mais vezes foi feita mal. A mensagem de ausência de sempre é tão velha quanto o problema.
A diferença entre servir e incomodar está em quatro coisas:
- Que resolva, não que avise. "Respondemos em horário comercial" não resolve nada. Consultar o status de um pedido resolve.
- Que saiba ficar calado. Uma reclamação séria às onze da noite não se responde com um automático. Transfere-se, e avisa.
- Que não invente. Se não sabe, diz que não sabe e passa para uma pessoa.
- Que fique registro. De manhã, quem abre a caixa de entrada tem que ver o que aconteceu de noite sem reconstruir de memória.
O que dá para resolver de noite e o que não
Vale separar as consultas em duas colunas antes de automatizar qualquer coisa.
| Dá para resolver sem uma pessoa | Não dá |
|---|---|
| Status de um pedido já feito | Uma reclamação com raiva |
| Horários, endereços, formas de pagamento | Uma exceção comercial |
| Preço e disponibilidade de um produto | Qualquer coisa com valor em discussão |
| Pegar os dados de um pedido novo | Algo que exija coordenar com terceiro |
A coluna da esquerda é quase sempre a maior parte do volume noturno. A da direita é a que te obriga a ter uma regra de transferência, não uma mensagem de ausência.
Um dado de um cliente nosso
Uma administradora de prédios que atendemos recebe reclamações de moradores pelo WhatsApp a qualquer hora. Infiltrações, elevadores, barulho.
Com o atendimento automatizado rodando, cerca de 312 conversas por mês entram nessa caixa. Perto da metade se resolve sem que uma pessoa entre. Os outros 40% vão para alguém da equipe, com o motivo registrado.
Esses 40% não são um fracasso. São exatamente a coluna da direita da tabela acima, e é o que a equipe vê de manhã já organizado em vez de ter que reconstruir.
Conclusões
- Não responder até amanhã tem custo medido, e é grande.
- Alguém da equipe respondendo de casa funciona até parar de funcionar.
- Uma mensagem de ausência avisa mas não resolve, então o cliente esfria igual.
- Separe as consultas noturnas entre o que dá para resolver e o que precisa transferir.
- Se você não conseguiria explicar para a sua equipe sem constrangimento, a solução está mal montada.
Perguntas frequentes
- Uma mensagem automática de ausência basta?
- Basta para o cliente saber que você leu, e nada mais. Não baixa o tempo de resolução nem evita que ele vá para outro lugar. Serve como piso, não como solução.
- Como evito que responda algo automático quando o assunto é delicado?
- Com regras de transferência definidas de antemão. Você lista os assuntos que prefere tratar pessoalmente e eles ficam fora do alcance da resposta automática: entram na caixa marcados e com o motivo, para alguém pegar de manhã.
- E se o cliente perceber que não é uma pessoa?
- Vai perceber, e tudo bem. Avisar de cara funciona melhor do que disfarçar: o que gera raiva não é ser automático, é descobrir isso depois de vinte minutos dando voltas.
- Serve para um negócio pequeno ou só com muito volume?
- Serve antes com pouco volume, porque numa equipe pequena não há para quem delegar o plantão. A pessoa que responderia às onze é você.
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