Quando um chatbot de WhatsApp não serve (e quando é mais que suficiente)
A pergunta certa não é se serve
É para qual consulta serve, porque a resposta muda por completo de uma para a outra.
Quando um chatbot de WhatsApp não serve tem uma resposta bem concreta: não serve quando a resposta não existe escrita em lugar nenhum, quando é preciso decidir algo, ou quando a pessoa do outro lado está brava.
E é mais que suficiente no caso contrário, que além de tudo é o mais frequente: a pergunta que você já respondeu duzentas vezes.
O dado incômodo do autoatendimento
Convém ter à mão antes de decidir quanto automatizar.
Uma pesquisa da Gartner com 5.728 clientes encontrou que apenas 14% dos casos de atendimento se resolvem por completo em autoatendimento. Não 80%, não 60%. Catorze.
Esse número é o teto do "que se resolva tudo sozinho" e explica por que tantas implementações deixam as pessoas piores do que antes: automatizou-se a porta de entrada sem construir a saída.
As quatro consultas em que ele faz você perder o cliente
| Situação | Por que falha |
|---|---|
| Reclamação com raiva | A pessoa quer ser ouvida, não informada |
| Negociação de preço ou condições | É uma decisão comercial, não um dado |
| Caso sem resposta escrita | Sem fonte, ou inventa ou frustra |
| Trâmite que depende de um terceiro | Coordenar com um fornecedor não é responder |
O padrão se repete: as quatro precisam de critério ou de ação física. Nenhuma se resolve tendo mais informação disponível.
A quinta, a mais cara: não deixar sair
Uma IA sem saída de emergência incomoda mais do que ajuda.
A Gartner mediu que 87% de 3.566 clientes dizem que uma empresa que usa IA generativa no atendimento tem que dar acesso a uma pessoa. Não diz que não usem: diz que tem que haver porta.
O estrago de não ter não aparece na conversa que falha. Aparece no cliente que da próxima vez liga por telefone, ou não volta.
Onde é mais que suficiente
Tudo o que já está escrito, e que hoje alguém copia e cola dez vezes por dia.
- Horários, endereços, formas de pagamento, prazos de entrega.
- Status de um pedido que já existe no seu sistema.
- Preços e disponibilidade, quando saem do seu catálogo e não da memória de alguém.
- Requisitos e políticas: que documentação você pede, como são as trocas, o que a garantia cobre.
- A mesma pergunta em outras palavras, que é o caso em que mais se nota.
Essas cinco não são as consultas interessantes do seu negócio. São as que comem a manhã.
O critério para separar umas das outras
Uma pergunta, e se responde rápido: a resposta já está escrita em algum documento seu?
Se está, dá para automatizar e vai sair bem, porque a resposta é buscada no seu texto em vez de gerada. Se não está, você tem duas opções honestas: escrevê-la, ou que saia para uma pessoa.
O que não é opção é esperar que o modelo complete. É aí que aparecem as respostas plausíveis e falsas.
Como o limite se configura, na prática
Não é preciso escolher entre tudo ou nada.
- Defina os temas proibidos. Preços especiais, reclamações, cancelamentos: o que você não quer que seja tocado.
- Marque o que vai direto para uma pessoa, sem passar por nenhuma resposta automática.
- Comece gradual, respondendo só as conversas que você marca.
- Avise quando transferir, com o motivo anotado na conversa.
O que um chatbot barato não vai te dizer
Que o problema quase nunca é o modelo. É que não deram nada seu para ele responder.
Um serviço sem os seus documentos responde o que qualquer um do seu ramo responderia. Soa bem e não serve, porque a sua política de trocas, as suas zonas de entrega e o seu desconto por quantidade não estão na internet.
Conclusões
- Um chatbot de WhatsApp não serve para reclamações com raiva, negociações, casos sem resposta escrita nem trâmites que dependem de um terceiro.
- É mais que suficiente para horários, preços de catálogo, status de pedidos, políticas e perguntas repetidas.
- A Gartner mediu que apenas 14% dos casos se resolvem por completo em autoatendimento.
- 87% dos clientes exigem poder chegar a uma pessoa quando há IA no meio.
- O critério prático é se a resposta já existe escrita em um documento seu.
- Os limites se configuram por tema, por etiqueta e por modo de adoção, não com um interruptor único.
Perguntas frequentes
- Convém automatizar todo o atendimento?
- Não, e os números sustentam: a Gartner mediu que apenas 14% dos casos se resolvem por completo em autoatendimento. O que convém automatizar é o repetido e com resposta escrita, deixando o resto para a sua equipe.
- Como faço para que ele não responda certos temas?
- Configurando regras de transferência por tema. O que você marca como fora do alcance não é respondido automaticamente, sai para uma pessoa com o motivo anotado.
- O que acontece quando o cliente pede para falar com alguém?
- Deveria sair para uma pessoa, sem discussão. 87% dos clientes pesquisados pela Gartner dizem que uma empresa que usa IA no atendimento tem que dar acesso a um humano.
- Por que o meu chatbot anterior respondia qualquer coisa?
- O mais provável é que não tivesse os seus documentos. Sem uma fonte própria, o modelo completa com o que sabe do ramo, que não é o que sabe do seu negócio.
- Serve para um negócio com poucas consultas por dia?
- Depende de quantas são repetidas. Se dez das quinze consultas diárias são a mesma pergunta, a economia é real mesmo com volume pequeno.
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