A IA vai substituir os atendentes?
Por que você faz essa pergunta
Se você está avaliando colocar uma IA para atender, há uma pergunta que aparece antes do preço: a IA vai substituir os atendentes?
Você não a faz por medo abstrato. Faz porque em algum momento vai ter que abrir isso com a sua equipe, e não quer que a conversa comece mal.
Merece uma resposta com dados, não uma frase para tranquilizar.
O que dizem os números globais
O Fórum Econômico Mundial projeta até 2030 cerca de 170 milhões de postos criados e 92 milhões deslocados. O saldo é positivo, mas esse saldo esconde muita variação por função, setor e país.
Duas coisas convém guardar dali, e a segunda importa mais que a primeira.
A primeira é que a média não te serve para decidir. Que o saldo global seja positivo não diz nada sobre a sua operação de oito pessoas.
A segunda é que o padrão que se repete não é substituição, é mudança de tarefas dentro do mesmo cargo. A pessoa continua, o que ela faz durante o dia muda.
O que acontece num negócio pequeno, que é outro problema
Os estudos globais medem empresas grandes com áreas de atendimento de cinquenta pessoas. Ali a substituição é uma possibilidade real porque há volume para cortar.
Num negócio de dez ou vinte pessoas a situação é diferente e quase oposta. Ninguém tem uma área de atendimento: há gente que além disso atende. A pessoa do administrativo responde WhatsApp entre duas notas fiscais.
Nesse contexto o atendimento automatizado não libera um cargo. Libera pedaços do dia de gente que já tinha outra função. O resultado é que voltam a fazer o que é delas, não que sobrem.
Que tarefas mudam de mão
Esta é a parte concreta, e é o que convém mostrar para a sua equipe.
| Sai | Fica | Aparece |
|---|---|---|
| Responder o horário pela décima vez | O cliente irritado | Revisar o que ela respondeu e corrigir |
| Procurar o status de um pedido no sistema | A exceção comercial | Decidir que assuntos são transferidos |
| Copiar e colar a política de trocas | A negociação | Melhorar o que ela responde mal |
| Passar dados de um chat para uma planilha | O cliente que precisa ser recuperado | Ler o que aconteceu de noite |
A coluna do meio é a que importa. É todo trabalho que exige critério, e é exatamente o que a sua melhor pessoa faz bem e hoje não consegue fazer porque está respondendo horários.
A conversa com a sua equipe
Um conselho prático que sai de ver isso acontecer várias vezes.
Mostre antes de ligar, não depois. E mostre a coluna do meio primeiro, não a da esquerda. A diferença entre "isso te tira trabalho" e "isso te substitui" está quase inteira em qual das duas você abre.
E há um teste simples para saber se está encarando bem: te dá desconforto mostrar isso para a sua equipe? Se dá, revise o que você pediu que ela fizesse. Normalmente o problema não é a ferramenta e sim o quanto você deixou que ela pegasse.
Um dado de um cliente nosso
Uma administradora de prédios que atendemos recebe reclamações de moradores pelo WhatsApp. Com o atendimento automatizado funcionando, entram cerca de 312 conversas por mês nessa caixa.
Perto da metade se resolve sem que uma pessoa entre. Os outros 40% vão para alguém da equipe, com o motivo registrado.
Ninguém saiu da equipe. O que mudou é que esses 40% chegam organizados e com contexto, em vez de misturados com as outras 180 conversas que eram perguntas repetidas.
Conclusões
- O padrão dominante é mudança de tarefas dentro do cargo, não substituição.
- Num negócio pequeno não há uma área de atendimento para cortar: há gente que além disso atende.
- O que sai é o repetitivo; o que fica é tudo o que exige critério.
- Abra a conversa com a sua equipe pelo que eles continuam fazendo, não pelo que sai.
- Se te incomoda mostrar para a sua equipe, revise o quanto você deixou a ferramenta pegar.
Perguntas frequentes
- Quanto do atendimento ela consegue resolver sozinha?
- Depende do tipo de consulta. Num caso medido nosso, perto da metade das conversas se resolve sem intervenção. O resto é transferido, que é o que corresponde quando há critério envolvido.
- Como apresento isso para a minha equipe?
- Mostrando antes de ligar e começando pelas tarefas que ficam. Ajuda muito que eles participem de definir que assuntos são transferidos, porque são os que sabem quais complicam.
- E se a minha equipe usar mal ou desligar?
- Pode acontecer, e costuma ser sinal de que a configuração está tirando algo que consideram deles. Convém começar com um segmento pequeno e combinado, não com a caixa inteira.
- Serve se eu já tenho pouca gente?
- Aí é onde mais se nota, porque o tempo liberado é o de alguém que tem outras três funções. Não muda a folha, muda quanto do dia dela vai embora respondendo a mesma coisa.
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